No silêncio do quarto vazio
De pensamentos, a cabeça cheia e tumultuosa
Incertezas
Decisões
Sorte?
Destino?
Ninguém sabia
Também pouco importava
O que realmente era de valia
Era pensar em tudo que lhe trouxera até aqui
No porque se propusera a acordar todos os dias bem cedinho
Ir para outra cidade todas as manhãs
E encarar um transporte lotado de gente onde a humanidade parecia ter esmorecido há muito tempo
Por quê? Porque tinha um objetivo...
E se lembrara das palavras de seu pai lhe dizendo que era sempre importante ter um objetivo na vida
Nunca se esquecera disso apesar da pouca idade
Talvez por isso já soubera o que queria desde tão cedo
E escrevera em seu diário para que talvez dessa forma esse sonho pueril não se apagasse com o transcorrer e a dureza do tempo
Agora adulto lia o velho diário cujas folhas, assim como o escritor, o tempo não poupara, já amareladas e rotas
Vira como pensava e rira muitas vezes
O adulto encontrara a velha criança adormecida dentro de si
O brilho dos seus sonhos mais sinceros e profundos
Lágrimas molharam as velhas páginas
Recordara-se de quem realmente era
E não podia mais deixar que as incertezas e vicissitudes da vida lhe tirassem a esperança
Pusera-se a pensar em todo o seu caminho trilhado até o momento
Onde tinha chegado, não tinha planejado nem almejado tudo isso
Fora tudo tão rápido...
Pensara em como vinha caminhando nessa longa estrada chamada Vida
E foi então quando percebera que nesse caminho aquela velha criança sempre foi seu guia
Iluminando a estrada escura e pedregosa, norteando seus passos em busca daqueles velhos sonhos...
Agora se perguntava se aquela velha criança sorriria ao ver esse jovem adulto de hoje...
Meu querido diário